De propriedade rural para uma das vizinhanças mais populosas da Regional Pampulha, Santa Terezinha passa por mudanças no perfil de ocupação e é, cada vez mais, procurado por famílias de classe média

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Santa Terezinha tem ruas, como a Pequeri, onde predominam imóveis residenciais. Casas antigas começam a dar lugar a construções mais novas

 Relativamente novo, o Santa Terezinha, bairro que pertence à Regional Pampulha, segue em constante transformação. Da propriedade rural que há pouco mais de 50 anos ocupava a região, pouco resta. E hoje, após a recente expansão populacional e do mercado imobiliário de Belo Horizonte, a mudança está no perfil dos moradores. As casas construídas à época do lançamento do loteamento, voltadas para classe mais simples, começam a dar lugar a edifícios que têm como público-alvo a classe média.
“Essa mudança levou algum tempo. As casas eram simples, bem humildes. A partir dos anos 2000, com o crescimento de Belo Horizonte, os imóveis antigos começaram a dar lugar a casas mais novas, modernas e com bom padrão de acabamento. Atualmente, estão construindo mais prédios no bairro. Fora o Conjunto Santa Terezinha, não existiam muitos edifícios aqui”, explica Sandra Alexandre, que, além de morar há mais de 40 anos no Santa Terezinha, atua como corretora de imóveis na região desde 1990.

Paróquia Santa Terezinha é a principal referência do bairro

Paróquia Santa Terezinha é a principal referência do bairro

Acompanhando o crescimento de bairros vizinhos, como o Castelo e o Ouro Preto, o Santa Terezinha começou a receber mais atenção dos órgãos públicos. Um exemplo disso é a considerável diminuição de enchentes, problema que, há pouco tempo, era recorrente. “Tínhamos constantes alagamentos, e as pessoas ficavam ilhadas, sem poder entrar ou sair. Não que não exista mais, mas reduziu muito. Principalmente pelas obras que a prefeitura tem feito aqui na região”, comenta Sandra. A corretora aponta a participação e conscientização da população como responsável pela melhoria das condições da vizinhança, destacando a importância do Orçamento Participativo (OP) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para que as obras necessárias saíssem do papel. Outro fator que melhorou a vida dos moradores e ajudou a mudar a cara do bairro foi a melhoria das vias de acesso à região.
“Era um bairro humilde. O Santa Terezinha fazia parte do lado mais pobre da Pampulha, e as outras áreas, como o Bandeirantes e o Castelo, eram as mais ricas. De 15 anos para cá, o perfil mudou muito. A preocupação das construtoras e novos moradores também mudou, e tenho notado um cuidado maior com a fachada das construções, com os muros e os passeios, o que não era comum antigamente”, afirma Sandra Alexandre.

Além da modernização das casas mais antigas, a grande transformação de formato de ocupação do bairro foi o aumento dos empreendimentos verticais. Segundo Sandra Alexandre, os prédios mais novos têm padrão de acabamento bom. Em sua maioria, são edifícios residenciais de, no máximo, quatro andares, sem elevador. A maior oferta é de apartamentos de dois e três quartos, com duas vagas de estacionamento. A vizinhança chamou a atenção de investidores pelos lotes de bom tamanho, em média 360 metros quadrados, e o preço mais em conta comparado com outros bairros da Pampulha.
Em termos de serviços e comércios, o Santa Terezinha ainda é carente. Mesmo assim, empresas familiares ainda oferecem boas opções aos moradores, com farmácias, hortifrútis, loterias, padarias, açougues, papelarias, mercearias, bares e restaurantes. Também conta com boa variedade de colégios públicos e privados, além de abrigar o Centro de Saúde Santa Terezinha e a Unidade de Pronto-Atendimento Pampulha. Porém, o que falta no bairro, como agências bancárias, é acessível em vizinhos como o Serrano e o Ouro Preto. Boa parte dos pontos comerciais se concentra nas principais avenidas e na Rua Julita Nogueira Soares.

Se faltam opções de lazer ao ar livre, o clima de interior ainda é preservado no bairro. Assim, ver crianças brincando nas ruas ou na Praça Alexandre Moterani – única da vizinhança, que conta com uma academia a céu aberto – é comum. “Aqui você conhece os vizinhos pelo nome, cumprimenta as pessoas na rua”, completa Sandra Alexandre, afirmando que essa é uma das características mais valorizadas do Santa Terezinha. Além disso, vários espaços públicos de preservação ambiental, como o Parque Ursulina de Andrade Melo, o Parque Ecológico da Pampulha e o Parque Cássia Eller, além da própria Lagoa da Pampulha, ficam a poucos minutos do bairro.

Itatiaia? Uma dúvida paira sobre o Santa Terezinha: quais os reais limites do bairro? “Trabalho há muito tempo na região. Quando vamos registrar os imóveis, eles saem como se estivessem no Itatiaia. Porém, a guia do IPTU vem como Santa Terezinha”, observa Sandra Alexandre.
De acordo com a Lei Municipal 10.698/2014, que definiu a última organização de bairros e regionais de Belo Horizonte, o Santa Terezinha tem início no cruzamento da Rua Casablanca com a Avenida Professor Clóvis Salgado. Da primeira, segue até o final da Rua Itatiaiuçu. Seguindo em linha reta do final da segunda até a Rua Colonita, desce até o cruzamento com a Rua Florença. Desta, segue a Rua Chapada do Norte até o cruzamento com a Rua Elmar. Pela última, segue até a Avenida Heráclito Mourão de Miranda. Deste ponto, o bairro fica entre a última e as avenidas Ayres da Mata Machado, Henfil, Serrana e Professor Clóvis Salgado. É uma das maiores vizinhanças em área da Regional Pampulha, onde é margeada pelo Bandeirantes, Itatiaia, Urca, Serrano, Castelo e Paquetá.

A região fazia parte da antiga Fazenda da Serra, de propriedade do coronel Francisco Menezes Filho, que, por muitos anos, forneceu leite, hortaliças e vegetais para Belo Horizonte. Na década de 1960, com a expansão de BH e o aumento de ocorrências de invasões de terras, os herdeiros de Francisco Menezes Filho resolveram lotear e comercializar a propriedade, dando origem a vários bairros.

Fonte: Estado de Minas – Lugar Certo

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