Mesmo que a taxação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2% esteja resultando em quedas nas cotações das empresas listadas em bolsa, a medida não deixa de ser momentaneamente oportuna.
O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar em 2009 (+25% desde janeiro), numa trajetória prejudicial às exportações. E a economia brasileira, além de ter se recuperado da crise com relativa rapidez, oferecia e continua oferecendo condições atrativas aos investimentos financeiros.
Se o dólar continuar se desvalorizando frente às demais moedas, os investimentos estrangeiros no mercado de capitais voltarão em breve. E o governo precisará tomar outras medidas para fortalecer as exportações.
O que o governo precisa fazer é conter as despesas. Com isso, diminuirá sua necessidade de financiamento e pode dar um alívio na carga tributária, abrindo caminho para nova queda dos juros. Isso ativará mais a economia e diminuirá a dependência da arbitragem do dólar.
No que se relaciona ao Imob (Índice Imobiliário da BM&F-Bovespa), ele havia acumulado uma valorização superior a 160% de janeiro a setembro. Portanto, ficou muito mais elevado que a variação de 53% do Ibovespa, registrada no mesmo período.
Animadas com a recuperação econômica, algumas construtoras e incorporadoras voltaram a captar recursos na Bolsa. Cerca de R$ 4 bilhões foram obtidos por essas empresas nas últimas semanas. Duas delas já publicaram os dados consolidados, mostrando que 70% de sua captação vieram de investidores estrangeiros.
O IOF impactará momentaneamente sobre o Imob, mas é preciso relembrar que este índice, criado em 2007, havia perdido 70% do seu valor no ano passado. O valor de mercado em dólares das companhias que o compõem cresceu 256% de janeiro a setembro de 2009. Ainda assim, ele ficou cerca de 15% abaixo do registrado no fim de 2007.
Ou seja, o índice vinha mostrando uma recuperação também lastreada na retomada do nível de atividade da construção e nas expectativas favoráveis com relação a seu desempenho futuro. E tudo indica que essa recuperação vai prosseguir de forma consistente.
O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, o PAC, a retomada das obras privadas e públicas, e os futuros investimentos necessários à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, proporcionaram fundamentos concretos à recuperação do índice.
Tanto é assim que os financiamentos para construção e comercialização de imóveis com recursos das Cadernetas de Poupança totalizaram R$ 3,6 bilhões em setembro, num aumento de 13,3% em relação a agosto. Foi um recorde em toda a história do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Nos últimos 12 meses terminados em setembro, esses financiamentos alcançaram R$ 30,4 bilhões, com aumento de 4,7% em relação ao período anterior.
Os dados divulgados pela Abecip indicam o retorno desses financiamentos aos níveis anteriores à crise. A tendência será chegar em dezembro ultrapassando os R$ 30 bilhões que financiaram cerca de 300 mil unidades em 2008. E isso dará fundamentos ainda mais sólidos à recuperação da construção civil.