21/01/2010 - Crédito a imóveis crescerá 47% sobre recorde de R$ 34 bi
A forte retomada do crescimento do crédito para o financiamento habitacional foi um dos principais motivos para o aumento do mercado da construção civil em 2009. Mas este ano promete ser melhor ainda, com grande otimismo das entidades que acompanham a evolução do mercado e que estão prevendo crescimento do financiamento, através da poupança, de 46,9% em 2010.
O financiamento imobiliário através do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) encerrou 2009 com resultado histórico de R$ 34,017 bilhões. O valor representa um crescimento de 13,3% se comprado ao mesmo período do ano passado, quando o financiamento havia atingido R$ 30,032 bilhões. O total de unidades comercializadas finalizou o ano em 302.680, alta de 1%.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), responsável pelo levantamento, Luiz Antonio França, a expectativa para 2010 é que o volume financeiro chegue a até R$ 50 bilhões, com a venda de até 450 mil unidades. Estes dados não incluem os financiamentos realizados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Segundo França, três fatores colaboraram para o crescimento o financiamento de imóveis. "Primeiro foi o aumento da renda real da população, seguido pela redução na taxa Selic, de 13,75% ao ano em dezembro de 2008, para 8,75% ao ano, em dezembro de 2009, com o aumento da competitividade da caderneta de poupança. Por fim, tivemos a disposição da pessoa física em aumentar suas reservas", explica França.
Para o presidente da entidade, dos R$ 50 bilhões do SBPE previstos para serem utilizados em financiamento imobiliário para este ano, R$ 30 bilhões virão da pessoa física e R$ 20 bilhões da pessoa jurídica.
O montante do financiamento nas operações contratadas em 2009 correspondeu a R$ 49,6 bilhões, sendo os R$ 34 bilhões do SBPE e R$ 15,6 bilhões do FGTS. Em número de unidades comercializadas, a quantia ficou em 686 mil no ano passado, sendo 303 mil dos SBPE e 383 mil provenientes do FGTS. Somando ambas as operações, França diz que "é possível que se aproxime da casa do milhão o número de novos financiamentos", acredita ele.
A principal queda em 2009, apontada pelo levantamento feito pela Abecip, foi o volume de construção de imóveis, passando de R$ 16,2 bilhões em 2008, para R$ 13,9 bilhões no ano passado, representando uma queda de 14,6% no período. A construção de novas unidades também obteve retração, fechando em com queda de 14,5%.
"As construtoras priorizaram seus estoques e diminuíram a realização de novos empreendimentos por conta da crise financeira", afirma França.
A inadimplência em 2009 foi outro motivo que fez com que o houvesse crescimento no financiamento de imóveis, reduzindo a preocupação dos bancos. Os mutuários com mais de três prestações em atraso representaram apenas 2,56%, contra 3,07% registrado no ano anterior.
A partir do segundo quadrimestre, na cidade de São Paulo, melhorou significativamente a velocidade de vendas (vendas sobre oferta - VSO), índice calculado pelo sindicato da construção (Secovi), revertendo o cenário visto no período de outubro de 2008 a abril do ano passado.
A VSO avalia o comportamento dos lançamentos imobiliários e atingiu 17,5% em novembro de 2009, conforme dados divulgados pela Secovi.
A evolução da captação das contas poupança em 2009 cresceu 11,05%, passando de R$ 13,901 bilhões em 2008, para R$ 23,805 bilhões no ano passado. "As expectativas para o comportamento da captação líquida de recursos em contas de poupança continuam positivas para 2010, devendo apresentar crescimento superior a 10%", diz França.
Os recursos disponibilizados pelo plano do governo "Minha casa minha vida" não influenciarão no desempenho para 2010.