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02/02/2010 - Bovespa iniciou o mês com forte alta e dólar caiu

SÃO PAULO - Fevereiro começou de forma positiva para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) marcou o segundo melhor pregão do ano e retomou os 66 mil pontos e o dólar caiu pela primeira vez em 10 pregões. Já os juros futuros curtos subiram e os longos recuaram.

A segunda-feira também foi de retomada no mercado externo, onde os agentes aproveitaram dados positivos sobre a economia americana para recompor posições vendidas ao longo de janeiro.

Em Wall Street, o aumento da renda e do gasto do americano em dezembro de 2009 aliado à melhora do índice de atividade na industrial ajudou o Dow Jones a subir 1,17%, segunda maior alta do ano. O S & P 500 e o Nasdaq avançaram 1,11% e 1,43%, nessa ordem.

Por aqui, a Bovespa acompanhou os ganhos externos e a valorização no preço das commodities. Com ajuda das ações da Vale e destaque para os ativos da Cosan e Banco do Brasil (BB), o Ibovespa subiu 1,79%, para fechar aos 66.571 pontos. Foi a segunda maior alta do ano, perdendo apenas para o ganho de 2,12% registrado no primeiro pregão de 2010. O giro financeiro ficou em R$ 5,69 bilhões.

Uma série de notícias corporativas ajudou a movimentar o pregão. A sucroalcooleira Cosan assinou um memorando de entendimento com a Shell para unir os negócios de etanol e distribuição de combustíveis. O valor estimado da operação é de US$ 12 bilhões. Os investidores aplaudiram o negócio e o papel ON da companhia saltou 10,70%, para fechar a R$ 23,58. Vale lembrar que, em janeiro, o ativo tinha recuado 16,80%, uma das maiores quedas do Ibovespa.

Entre os bancos, os papéis do Banco do Brasil chamaram a atenção ao marcar alta de 6,76%, para R$ 30,00. A instituição anunciou um impacto positivo de R$ 1,6 bilhão no balanço de 2009, reflexo da atualização dos cálculos dos pagamentos do fundo de pensão dos funcionários do banco (Previ).

As ações PNA da Braskem terminaram com elevação de 0,45%, a R$ 13,32. A petroquímica comunicou a compra da americana Sunoco Chemicals, com capacidade anual de 950 mil toneladas de polipropileno, por US$ 350 milhões. Tal operação é vista como um passo importante no processo de internacionalização da companhia.

O papel ON da OGX Petróleo avançou 2,97%, a R$ 17,30, com o terceiro maior volume do dia. A companhia encerrou a campanha de perfuração no poço 1-OGX-4-RJS e estima um volume total de óleo recuperável entre 100 milhões e 200 milhões de barris. Foi anunciada nova descoberta no poço OGX-5. Em relatório a Itaú Corretora reiterou a recomendação " outperform " para o papel e elevou o preço alvo de R$ 22,50 para R$ 22,90.

O dólar finalmente ajustou para baixo, depois de subir por nove dias e acumular alta de 6,68 % no período. " O movimento do real esteve correlacionado com o do euro e com a melhora dos mercados externos. Este é um sinal de que talvez estejamos revertendo a posição de queda dos últimos dias em termos de Bolsa e foi um refresco para o real " , comentou o operador da corretora BGC Liquidez, Marcelo Oliveira.

A moeda chegou a ensaiar alta, mas perdeu força no decorrer da tarde para fechar negociada a R$ 1,859 na compra e R$ 1,861 na venda, declínio de 1,27%. Tal desvalorização é a maior desde 23 de dezembro, quando a moeda havia recuado 1,40%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar cedeu 0,84%, para R$ 1,8615. O volume atingiu US$ 68,75 milhões. Já os negócios no interbancário caíram de US$ 3,6 bilhões na sexta-feira para US$ 2,0 bilhões.

No mercado de juros futuros, as taxas tiveram comportamento díspar, mostrando que mais agentes creditam em antecipação da alta de juros. Por isso, o aumento nos vencimentos curtos e redução dos longos.

Na agenda de indicadores, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) atingiu 1,29% no fim de janeiro. Este foi o maior resultado desde a terceira semana de fevereiro de 2003, quando o índice havia subido 1,55%.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuava 0,03 ponto, a 10,31%. O DI para o primeiro mês de 2012 diminuía 0,09 ponto, a 11,64%, enquanto o de janeiro de 2013 caía 0,12 ponto, a 12,17%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, estava estável, a 9,12%, enquanto o DI de abril avançava 0,01 ponto, a 8,69%, e março subia 0,024 ponto, a 8,645%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 490.720 contratos, equivalentes a R$ 42,41 bilhões (US$ 22,62 bilhões), bem abaixo do volume da sexta-feira da semana passada, de R$ 73,988 bilhões. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 230.940 contratos, equivalentes a R$ 21,10 bilhões (US$ 11,25 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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