Passado o susto da crise, o maior acesso ao crédito fez o consumidor ir à compra de imóveis. Enquanto as construtoras correm atrás do tempo perdido durante o período crítico, a procura está maior do que a oferta. O efeito pesa no bolso do belo-horizontino que busca casa ou apartamento.
Em menos de um ano - de dezembro de 2008 a outubro de 2009 -, a alta de preços para a compra de casas chegou a até 63% - com média de 53% - e, para os apartamentos, a média foi de 34%, chegando a 38%.
Pesquisa da Câmara de Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi) mostra a valorização de imóveis de acordo com a classificação dos bairros da capital - populares, médios, altos e de luxo -, que leva em conta a renda média mensal dos moradores.
Os populares têm renda inferior a cinco salários mínimos; médio, entre cinco e oito e meio; alto, entre oito e meio e 14,5; e luxo, acima de 14,5 salários.
A maior valorização foi nos bairros de luxo, onde as casas aumentaram 63%, de R$ 574.343,34 para R$ 940.267,03 em média. Nos populares, o valor médio de uma casa era de R$ 82.188,68 em dezembro de 2008.
Em outubro de 2009, passou a custar R$ 114.622,80, 39% a mais. Nos apartamentos, a maior alta também ficou nos bairros de luxo, que saíram da média de R$ 316.825,34 para R$ 439.873,25, acréscimo de 38%.
Segundo o presidente do CMI-Secovi, Ariano Cavalcanti, a maior valorização de imóveis em bairros de luxo é algo que sai do convencional. "A alta de preço tem sido geral. O normal são os bairros médios para baixo terem valorização maior. Foi um ano atípico", afirma.
O presidente explica que a grande procura é o que impulsiona as altas. "É a demanda que vem se aquecendo nos últimos três anos e o mercado não está conseguindo suprir. Embora a oferta esteja aumentando, ainda não alcançou o número necessário", afirma. Ele explica que quanto mais próximo da região central, maior tende a ser a demanda e, consequentemente, maior a valorização.
Riscos
A conselheira da CMI-Secovi, Adriana Magalhães, lembra que valorização excessiva de imóveis pode ficar sem limites e não parar de aumentar os preços. Nesse caso, o mercado pararia.
Da mesma forma que comprar um imóvel está cada dia mais caro, alugar também está. Nos locais onde o preço de compra é alto, os aluguéis também tendem a subir.
“Tem uma correlação. O aluguel é um percentual do valor do imóvel”, explica o presidente do CMI-Secovi, Ariano Cavalcanti.
Levantamento feito pelo Ipead mostra que de dezembro de 2008 a dezembro de 2009, a maior alta foi de 36,44%, registrada em apartamentos na regional Leste. Lá, os aluguéis passaram de R$ 603,75 para R$ 823,79, em média. Na outra ponta ficou a Regional Norte, onde a média passou de R$ 679 para R$ 556,84.
Já as casas tiveram a maior elevação de preços na Regional Oeste. O aluguel passou de R$ 1.329,29 para R$ 2.389, 41, um avanço de 79,7%. Por outro lado, na Noroeste, houve queda de 20%, passando de R$ 986,36 para R$ 785.