A industrialização dos processos da construção civil tem papel crucial para que a política habitacional do país alcance os resultados desejados e contribua, de fato, para diminuir o imenso déficit de moradias, estimado em quase 8 milhões de unidades. Com a melhoria do acesso ao crédito imobiliário e a introdução de programas de incentivo à construção de empreendimentos residenciais voltados a famílias de baixa renda, como o Minha casa, minha vida, lançado no ano passado com a meta de construir um milhão de moradias, cresce aceleradamente a demanda por unidades populares.
Para que essa meta possa ser atendida, com eficiência e agilidade, é preciso que as empresas abandonem os velhos métodos artesanais e passem a investir em processos industrializados, capazes de garantir mais racionalidade e produtividade aos canteiros de obra, com o menor impacto ambiental possível.
Na avaliação do vice-presidente de Materiais, Tecnologia e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, o mercado brasileiro de materiais já oferece soluções industrializadas viáveis para os grandes empreendimentos residenciais do segmento popular. "Para imóveis de grande porte, com mais de mil unidades, as práticas semi-industrializadas, como a adoção dos blocos de concreto e da alvenaria estrutural, já são uma realidade. Temos também grandes empresas que adotaram o sistema industrial de produção de paredes de concreto, moldadas em formas metálicas dentro do próprio canteiro. São práticas que estão consolidadas porque seus benefícios em produtividade, em redução do desperdício e do tempo de obra são evidentes", afirma.
Geraldo Jardim considera, porém, que as soluções industrializadas existentes hoje no mercado brasileiro ainda não atendem os empreendimentos menores, em função do custo. "Os processos industrializados ainda têm custo alto para as construtoras em comparação aos métodos convencionais. Quando o empreendimento é de grande porte, o custo inicial maior das práticas industrializadas é diluído e compensado pelos ganhos em produtividade e de velocidade de obra. Já para os empreendimentos pequenos é caro, por exemplo, comprar as formas metálicas para fazer as paredes de concreto".
Mesmo para os empreendimentos do Minha casa, minha vida, que em Belo Horizonte estabeleceu um preço máximo da unidade em R$ 46 mil, aplicar esses métodos torna o projeto inviável economicamente. "Então, considero que a industrialização é o caminho para a engenharia, mas ainda temos de encontrar a fórmula que a viabilize economicamente também para os pequenos empreendimentos", observa o vice-presidente do Sinduscon-MG.