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05/07/2010 - Centro de BH vive hipervalorização de imóveis

Centro de Belo Horizonte vive hipervalorização de imóveis

Mais de mil pessoas estão na fila para uma unidade no Balança Mas Não Cai

A hipervalorização dos imóveis no centro de Belo Horizonte já levou mais de 1.150 pessoas a formarem uma fila de espera na tentativa de adquirir uma unidade no edifício Tupis, o lendário "Balança Mas Não Cai", construído na década de 1940. O edifício passa por uma requalificação, para ser entregue em 2011.O metro quadrado na região central da capital disparou de menos de R$ 1.000 há três anos para um patamar entre R$ 2.000 a R$ 2.500.

 A receita: pouca oferta, localização privilegiada, acesso fácil, comércio na porta e facilidades no financiamento.Há três anos, o diretor de imobiliária, Ivan Bontempo, vendeu um apartamento de três quartos na rua Rio de Janeiro, ao lado do shopping Cidade, por R$ 70 mil. "Hoje, ninguém compra um apartamento desses por menos de R$ 200 mil a R$ 220 mil", informou o dono da imobiliária, com 32 anos de mercado.

O diretor de uma construtora, Teodomiro Diniz, responsável pela reforma do "Balança Mas Não Cai", diz que só vai colocar preço na ocasião da venda. "É ditado pelo comparativo com outros imóveis, e há pouca oferta no centro. Nos bairros periféricos ao centro, o metro quadrado custa de R$ 4.000 a R$ 4.500", explicou.Teodomiro Diniz, que também revitalizou o edifício Chiquito Lopes, prédio comercial desativado na rua São Paulo, contou que o "Balança" era um prédio desacreditado. "Na época, uma pessoa da prefeitura falou comigo que eu ousei e não ia conseguir vender, que as pessoas não iam querer morar ali, com toda a lenda de que ele balançava", lembrou.A rapidez na venda também acompanhou a valorização. "Pode demorar de uma semana a 45 dias. Em termos de velocidade de venda, equiparou-se com zonas nobres da cidade", comparou Ivan Bontempo.Mas quem está animado a comprar um imóvel no centro deve se preparar para as reformas. Como são prédios, em geral, dos anos 40 e 50, apresentam muitos problemas elétricos e hidráulicos. "A pessoa vai gastar, numa reforma, até R$ 50 mil", avisou Bontempo.

Para o arquiteto Oscar Ferreira, 62, o centro "respira" os anos 40. "São prédios antigos com áreas generosas. Restaurando os imóveis e modernizando as instalações, consegue-se ter muito mais conforto que em outras áreas".O problema mais sério, para o arquiteto, é a falta de garagem - outro defeito de edificações antigas e que contribui para tornar encarecer os condomínios, uma vez que os moradores pagam taxas extras pelo uso de uma das escassas vagas de estacionamento.

Condomínios

Um terço do valor paga só a garagem

O valor médio de um condomínio no centro da cidade é de R$ 350, dos quais R$ 100 – quase um terço do valor – são referentes à garagem. Esse é um dos motivos para o condomínio ser mais caro na região: em muitos edifícios, são cobradas duas taxas, por conta das escrituras separadas. “Antes, vendia-se a garagem separada do apartamento. Então encarece porque o dono tem que pagar um condomínio à parte”, explicou o dono da Imov, Ivan Bontempo.

Os constantes reparos nas redes hidráulica e elétrica dos prédios, geralmente construções das décadas de 1940 e 1950, representam outro complicador na mensalidade no centro da capital.

O designer gráfico, Leandro Sacramento, 28, considera o preço do condomínio onde mora um absurdo. “O prédio em que o meu pai mora em Juiz de Fora, na Zona da Mata, é de R$ 120. No centro de Belo Horizonte, eu pago R$ 507”, comparou, achando um disparate. Na taxa de Sacramento, R$ 207 embutidos na fatura são devidos à garagem.

 

Leandro Sacramento considera as manutenções um outro motivo do condomínio mais caro. “Tem muita manutenção de elevador”, lembrou.

 

Fonte: Jornal "O Tempo"

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