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01-09-2010
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26/07/2010 - Casas valem ouro na região sul de Belo Horizonte
Existe petróleo no subsolo da Zona Sul de Belo Horizonte? A se julgar pelos altíssimos preços dos lotes ofertados em bairros como Lourdes, Funcionários, Santo Agostinho, Sion a Anchieta, sim. Embalados pelo aquecimento do mercado imobiliário, o valor dos terrenos nessas regiões deu um salto para cima digno dos malabaristas do Cirque du Soleil. Como já não existem áreas livres para a construção nesses bairros, casas e casarões antigos estão sendo derrubados a toque de caixa para permitir a chegada dos arranha-céus de luxo. A preço de ouro, naturalmente. Em linhas gerais, no Bairro de Lourdes, um pedaço de terra de 1.200 metros quadrados, suficiente para abrigar um prédio espaçoso, de luxo, com boas garagens e área de lazer, custa R$ 7,2 milhões, preço que é acompanhado no Bairro Funcionários. No Sion e no Anchieta, área similar costuma ser oferecida aos compradores por R$ 4,2 milhões. Há cerca de dois anos, costumavam ser vendidas pela metade do preço. 

Em 2007, a GPO intermediou a venda de um lote no Bairro Funcionários, mais precisamente na rua Maranhão com Rua dos Otoni. O negócio foi fechado por R$ 1,3 mil por metro quadrado. Hoje, o lote vale R$ 3,5 mil. A valorização no período foi de 170%. Ou seja: se o comprador tivesse esperado três anos para comprar esse imóvel – e se ele medisse 1.200 metros quadrados – , no lugar dos R$ 1,6 milhão pagos em 2007, hoje teria que desembolsar R$ 4,2 milhões pela mesma área. Os proprietários ou herdeiros que se desfazem dessas casas são movidos por questões de segurança, dificuldades para a administração do patrimônio imobiliário ou pela decisão de facilitar a vida dos herdeiros. É o caso da psicóloga Heloísa Ambrósio Gosling, que, junto com as irmãs, vendeu a casa do pai no Bairro São Pedro, onde a família ainda conta com vários imóveis.

“O aluguel sempre traz dor de cabeça, o IPTU é altíssimo e, além disso, é preciso manter os imóveis em boas condições de uso. Houve um momento em que tivemos que decidir entre reformar e modernizar ou vender”. O terreno, vendido em novembro do ano passado, já registrou uma valorização de cerca de 25% de lá para cá. O empresário Sidney Morais também vendeu uma casa no Bairro Santo Agostinho, onde viveu por 30 anos com a família. “Tem um momento que a vida precisa tomar outros rumos, mas é evidente que a gente não pode fugir de ficar emocionado numa hora como essa. Uma vida inteira foi escrita ali dentro. Tem o contentamento de ter vivido ali num esforço familiar. Isso marca muito. Tem sempre um pouco de tristeza envolvida num negócio desse tipo.”

A necessidade de aproveitar uma oportunidade e evitar que o imóvel se desvalorize também impulsiona a venda das casas, mas nem todo mundo consegue aproveitá-la. A Patrimar Engenharia tem projetos e empreendimentos de terrenos que foram negociados entre o início do ano passado até abril de 2010. E o terreno da casa vendida por Sidney Morais faz parte de um deles. “Compramos também a casa ao lado, mas havia uma outra casa que o proprietário não quis vender. O lote dele acabou ficando entre dois prédios e, com isso, foi desvalorizado”, explica Marcelo Martins, diretor da empresa. Segundo ele, os preços dos terrenos em BH subiram muito. “De uma ano e meio para cá, a elevação foi de 50%”. 

Mas, se por um lado o mercado aquecido estimula, por outro a metodologia para estabelecer os preços é definida pelo proprietário do terreno. “Os donos põem na cabeça que o terreno vale uma determinada quantia , insistem nesse preço e não costumam voltar atrás. O valor sentimental é um argumento da negociação”, diz Martins. Preços fora da realidade, estimulados pelo crescimento da economia, põem as construtoras à beira de um ataque de nervos, mas não impedem o fechamento de negócios num mercado comprador. “Os preços que estão sendo pedidos não têm parâmetro na realidade, não são referência concreta, mas uma especulação em torno do aquecimento do mercado”, diz Ariano Cavalcanti, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI-Secovi).

 

Fonte: Estado de Minas

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